A notícia foi avançada a semana passada, em primeira mão pela Rádio Cávado, e logo confirmada pelo Presidente da Câmara. O pedido da Mibal tem que ver com o processo de concessão de caulinos em Vila Seca e Milhazes e chegou à Câmara em meados deste mês, estando a ser analisado pelo gabinete jurídico. Miguel Gomes reuniu na sexta-feira com os autarcas das duas freguesias com o intuito de os “sensibilizar para a matéria”. Nada se sabe deste encontro que durou mais de três horas, já que a única coisa que dele saiu foi um pacto de silêncio. Miguel Gomes diz apenas que os autarcas se mostraram "solidários com o assunto".
Numa conferência de imprensa dada esta segunda-feira, o Presidente da Câmara considerou o assunto "muito grave e difícil", já que a empresa invoca prejuízos causados pela falta de exploração.
No entanto, Miguel Gomes explicou que a Mibal se mostra disposta a "abdicar da indemnização, se a Câmara desistir também das suas acções". A intenção do município, já que é esse o compromisso com as Juntas, é de continuar com as acções até ao Supremo Tribunal. Depois, não será de esperar que volte a recorrer, caso perca, prometendo decidir com "ponderação e razoabilidade", até porque os prejuízos poderão ser grandes para o município, que não está em condições de pagar indemnizações.
Segundo o Presidente da Câmara, nesta altura, a questão está no Supremo Tribunal, na sequência da Acção Principal, já que a autarquia terá perdido as diversas Providências Cautelares.
Estas acções, juntamente com o facto de uma parte dos terrenos serem REN, da Comissão de Coordenação da Região Norte ter mandado parar os trabalhos, e de existir sinalização de trânsito que proíbe a circulação dos camiões, são os obstáculos que poderão impedir a Mibal de avançar. No entanto, conseguiu já que a Reserva Agrícola Nacional desafectasse os terrenos inscritos nessa área, isto contra o embargo que havia sido decretado pela Direcção Regional da Agricultura do Norte. Um facto que leva as Juntas de Freguesia a questionar esta mudança de atitude entre organismos do mesmo Ministério: “Existem muitas incongruências entre os diversos organismos do estado”, refere José Faria, Presidente da Junta de Vila Seca.